Não é claro para mim o porquê da necessidade
humana de declarar-se a desconhecidos. A única coisa que sei
é que esta necessidade é inata a todos nós.
Percebo isto nas pinturas rupestres, nos rabiscos das
crianças nas paredes, em pixações, em
protestos de grupos estudantis de esquerda e até mesmo nas
roupas que os adolescentes usam.
A verdade, é que o ser humano é social e
sociável, que todos nós temos uma estreita
ligação, e que buscamos declarar nossas descobertas,
dividir nossos acertos e trocar experiências. Os livros
são uma grande forma de partilha. Eles são o
resultado árduo de alguém que quis compartilhar com a
humanidade seus pensamentos. Um blog é um meio de se
expressar que alcança interlocutores de lugares que sequer
imaginamos, uma forma eficaz e de alto alcance comunicativo.
Nietzsche dizia que tudo isso é uma forma de
dominação, que toda forma de expressão
é viciada, buscando a imposição do modelo
acreditado pelo seu produtor. Mas eu, apesar de reconhecer o que
ele disse, prefiro acreditar que estamos todos ajudando e pedindo
ajuda, dando e pedindo atenção, buscando não
nos sentirmos sozinhos ou, pelo menos, não nos sentirmos
ignorados.
O sentido de um blog escrito em quarta 26 março 2008 23:46
Para quê pedância? escrito em quarta 26 março 2008 23:54
'Em algum rincão do universo cintilante que se derrama em um sem-número de sistemas solares, havia uma vez um astro, em que animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da "história universal": mas também foi somente um minuto. Passados poucos fôlegos da natureza congelou-se o astro, e os animais inteligentes tiveram que morrer. -Assim poderia alguém inventar uma fábula e nem por isso teria ilustrado suficientemente quão lamentável, quão fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito fica o intelecto humano dentro da natureza".
NIETZSCHE, Friedrich. Sobre verdade e mentira no sentido
extra-moral, 1873.
Realidade? escrito em segunda 26 maio 2008 17:07
Talvez o mundo esteja mesmo perdido. Ou talvez estejamos perdidos, olhando a vidraça suja, representando, advogando, defendendo um ponto de vista que não é nada mais além de nosso significado, não significando, sequer de longe, a verdade.
A realidade tal qual acreditamos que existe na verdade não existe. Talvez cheguemos perto quando nos referimos à realidade física, porém, quando o assunto é metafísico, quando falamos de idéias, temos apenas representação. Uma visão parcial, determinada, moldada, mentirosa, que transforma a realidade com a qual temos contato em uma ficção à qual damos crédito e nomeamos realidade.
Sem causa escrito em terça 27 maio 2008 16:30
Em gerações anteriores havia motivos para que existissem jovens depressivos.
A tristeza causada pela depressão pós guerra, o questionamento de valores impostos por um Estado que matava os pais dos jovens em guerras, trazendo crise econômica para o lar e para a nação, fazendo com que não não se pudesse comer bem, que não se pudesse vestir bem fez com que os jovens não mais aceitassem o que a sociedade dissesse que era correto, pelo simples fato de que quem impunha as regras não estava fazendo um bom papel.
Assim, os valores perderam a credibilidade, pois estes não mais estavam cumprindo seu papel de manutenção dos fins da sociedade, quais sejam, promover a segurança dos indivíduos que compõem a sociedade, e garantir justiça.
Como consequência, jovens descontentes com a nova configuração social, política e econômica, que os trazia sofrimento, decidiram viver segundo regras próprias dando origem a uma série de tendências à criação de tribos juvenis, que perduram até os dias de hoje.
O que ocorre hoje, porém, é que as atuais tribos (em sua grande maioria) não tem justificativa. Os emos, por exemplo, são jovens que se dizem tristes, a maioria proveniente de classe média e alta, não tendo muito do que reclamar. São tristes por "moda".
A tristeza por "moda" é algo ridículo.
A atual juventude sem causa não sabe que tudo o que já existiu anteriormente no que diz respeito a tribos juvenis teve uma causa. Ao contrário do que se verifica hoje com a " emo nation".
Pesar escrito em quarta 11 junho 2008 04:24
Queria sorrir um pouco mais para te ver sorrindo,
Te ouvir melhor para te ver cantando,
Te abraçar sem a culpa...
E sem o peso...
De não ser...
Perfeito.
A simples perfeição que buscas,
Aquela que, mesmo cheia de defeitos,
Consegue cumprir, pelo menos,
O seu papel.




